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Marcos Mazzaron
“Serei o defensor das bicicletas”

Medalhista de prata no Pan de 1987 e atual vice-presidente
da Federação Paulista de Ciclismo, o ex-ciclista
Marcos Mazzaron promete trabalhar em prol da
bicicleta, caso seja eleito deputado estadual
Texto e fotos: Eduardo Santos
Com a participação em duas
Olimpíadas (Los Angeles/
84 e Seul/88), além de
uma carreira vitoriosa no
ciclismo, Marcos Mazzaron pretende
representar os amantes da bicicleta
no dia a dia da política. Para isso, se
candidatou a deputado estadual pelo
PTB. Em sua plataforma estão ideias
como a interligação entre os meios
de transporte por meio da criação de
ciclovias e bicicletários. Acredita que
quatro anos são suficientes para começar
a viabilizar essa infraestrutura
ciclística em vários pontos do estado
de São Paulo. Confira a seguir
a entrevista de Mazzaron.
Revista Bicycle: Como sua
eleição pode ajudar o ciclismo e no
fomento à bicicleta?
Mazzaron: O fomento ao uso da
bicicleta vem de encontro a tudo o
que já estamos fazendo. A prática
de competições ciclísticas em suas
diversas categorias, como mountain
bike, bicicross e downhill, realizadas
em campeonatos de bairro é algo que já fazemos. O objetivo é fomentar as competições de alto
rendimento. No entanto, nosso foco
atualmente não é só competição,
mas principalmente o lazer da família
através da bicicleta. Implementamos
a ciclofaixa de São Paulo, que jáé um sucesso. Em domingos de sol,
temos um público fiel que, segundo
estimativas da CET, chega a 20 mil
pessoas pedalando. No período das
7 da manhã às 2 da tarde, as pessoas
utilizam a ciclofaixa pedalando
pelo Parque das Bicicletas, Parque
do Ibirapuera e Parque do Povo.
Bicycle: Quais são os seus principais
projetos?
Mazzaron: Criar meios para que a bicicleta
possa ser ainda mais utilizada. Viabilizar
as ciclovias e não somente a
ciclofaixa de lazer. Ciclovias para o
dia a dia. Para o trabalhador. Temos
que ter ciclovias ligando os bairros
às áreas comercial, industrial e ao
centro da cidade, além das escolas.
Estamos trabalhando com o próximo
governador, que acreditamos
será o Alckmin, pela Secretaria de
Integração. Essa é uma bandeira
nossa. A Secretaria de Integração
vai ter como base a viabilização
de ciclovias levando as pessoas ao
metrô, trem, táxis e ônibus. O prazo
disso? Acreditamos que em dez
anos essas interligações podem estar
todas feitas.
Revista Bicycle:É senso comum que
para o ciclismo se desenvolver é
necessário que se crie ídolos. Qual é o melhor caminho a se traçar nesse
sentido?
Mazzaron: Principalmente não
perpetuar dirigentes no poder. A
alternância é necessária. Meu projeto
enquanto deputado é sensibilizar
os deputados federais a criar
uma lei para que não haja mais
dois mandatos para os presidentes
de entidades. Nem federações nem
confederações. Temos que criar leis
que incentivem o ciclismo. Não só
o ciclismo, mas todos os esportes.
Vamos trabalhar para que esses “fomentadores” que são os clubes,
associações, ligas e federações tenham
a possibilidade de realizar
projetos incentivados. O patrocinador
deve ser como é na Europa. Lá
há patrocinadores de ciclismo com
tradição. Muitos deles estão lá há
20 ou 30 anos. Porque também
existem incentivos para essas empresas
terem o retorno financeiro.
Revista Bicycle: Como vai tratar o caso
dos ciclistas que pretendem pedalar
na USP, caso seja eleito?
Mazzaron: Eu assumo um compromisso
com os ciclistas e com a
sociedade em geral que no meu primeiro
momento de mandato vou fazer
uma interpelação a todos os órgãos
da USP. À reitoria, ao Conselho e à prefeitura da USP, para que eles se
retratem na decisão de não permitir
treinos de ciclistas por lá. Queremos
que eles voltem atrás nisso porque
aquele local é público. Serei um ferrenho
defensor dos ciclistas na USP.
Será uma questão de honra como
parlamentar. Vou até o governador do
Estado. Discriminam o ciclista na USP,
uma entidade que anda no contrafluxo
do mundo inteiro nessa questão.
Revista Bicycle: Como o setor de bicicletas pode aproveitar a divulgação do
ciclismo que a novela Passione tem
proporcionado em horário nobre?
Mazzaron: É um momento muito
feliz do setor de bicicletas. Estou andando
muito pelo Estado de São Paulo
e posso falar isso com toda segurança.
A cada dia mais pessoas andam de
bicicleta. Enfim, a bicicleta está cada dia mais nos meios de comunicação e
agora na novela das 8. Acredito que
a novela passa uma mensagem de
estímulo não só para quem compete,
mas para quem apenas gosta de bicicleta.
Isso porque o enredo fala sobre
uma fábrica de bicicletas, do processo
de fabricação da bike e mostra como
funciona uma empresa familiar. Enfim,
estamos vivendo um momento
muito positivo na mídia.
"Temos que ter
ciclovias ligando
os bairros às áreas comercial,
industrial e ao
centro da cidade,
além das escolas.
Essa é uma
bandeira nossa."
Revista Bicycle:Que tipo de consultoria
ofereceu para a novela de Sílvio de
Abreu?
Mazzaron: Na realidade, trabalhamos
em conjunto desde o primeiro
momento. Na relação dos atletas
que participaram das gravações e
no modelo a ser utilizado para as
cenas, entre outros itens. Temos
profundo conhecimento na concepção
de eventos ciclísticos. Estamos
ligados na criação de eventos como
a Volta do Estado de São Paulo, Tour
do Brasil, Copa América e Copa da
República. São eventos que organizamos.
A 9 de Julho, por exemplo,
quando assumimos a Federação,
não tinha mais condição de ser realizada
em São Paulo. Trouxemos
essa prova de volta para São Paulo
e a inserimos na mídia.
Revista Bicycle: A Ciclofaixa implementada
em São Paulo é um sucesso.
Como esse projeto pode ser difundido
e colocado em prática em outros
locais do estado?
Mazzaron: Como parlamentar,
assumo o compromisso de que vou
lutar para tornar lei a ciclofaixa no
Estado de São Paulo. Não só na cidade
de São Paulo, como em outros
locais do estado. Inauguramos
uma ciclofaixa em Ribeirão Preto.
Queremos que seja uma atividade
necessária para as cidades, para o
lazer da família. Fui o responsável
pela implementação da ciclofaixa
de São Paulo, levando o projeto a
todos os órgãos públicos, aos políticos,
CET e aos secretários que estavam
envolvidos no projeto. Trouxemos
um patrocinador, a Bradesco
Previdência, que acreditou no projeto.
O Banco HSBC vai patrocinar
a ciclofaixa de Ribeirão Preto. Essas
instituições financeiras acabam nos
brindando com esses patrocínios.
Revista Bicycle: Você tem alguma meta
de quantidade de ciclofaixas e ciclovias
que podem ser implantadas no período
de quatro anos, caso seja eleito?
Mazzaron: Vai depender muito
de cada prefeitura. Mas estamos falando
de algo que é muito familiar,
positivo. Se a gente propuser uma
lei nesse sentido, dificilmente vamos
ter opositores. Portanto, acredito
em uma possibilidade real de
aprovação desses projetos num primeiro
momento, sendo que os próprios
prefeitos e o governador devem
entender que se trata de uma
prática muito saudável, que equilibra
o ambiente familiar e dá prazer às pessoas. Portanto, acredito que
em quatro anos de mandato já possamos
ter isso como uma realidade
no Estado de São Paulo.
Revista Bicycle: Na ocasião dos Jogos Pamericanos
do Rio-2007, você foi um
dos convocados a carregar a tocha
olímpica por ter sido atleta medalhista
em Indianápolis, em 1987. Como
você resume a sua carreira de ciclista?
Mazzaron: Nos Jogos Panamericanos
de Indianápolis em 1987,
tive o privilégio de conquistar uma
medalha de prata. Perdi o ouro por
não estar preparado para decidir um
evento tão importante. Talvez, com
mais experiência, teria onquistado a
medalha de ouro. Mas até hoje nós
não tivemos uma medalha de prata
no ciclismo masculino. Em Indianápolis
foi uma decisão árdua até o último
segundo e eu acredito que perdi
por um vacilo. Mas mérito para o mexicano
Rosendo Ramos, medalha de
ouro. Foi um momento muito positivo,
e um trabalho que estava sendo
realizado naquela época pelo Fernando
Nabuco, que era o presidente da
Confederação Brasileira de Ciclismo.
Ele fazia um trabalho de intercâmbio
muito importante. Sem isso a gente
não teria conseguido aquele resultado.
Acho que hoje falta planejamento
para voltarmos a ter esses resultados.
Nas Olimpíadas Rio/2016, se
não tivermos planejamento e recursos,
o Brasil será novamente o País
que vai organizar e não ficará com
legado nenhum. Essa é uma crítica
verdadeira, já que o ciclismo no Brasil
anda para trás. O ciclismo no Rio
de Janeiro não existe. Ou vamos fazer
algo ou vamos ficar assistindo e
aplaudindo os estrangeiros que aqui
virão competir nas Olimpíadas.
Revista Bicycle: O que você espera que
vai acontecer daqui para frente com
o Ciclismo, até chegarmos aos Jogos
Olímpicos do Rio, em 2016?
Mazzaron: Com a experiência de
duas Olimpíadas, percebo que de
1987 até hoje nada foi mudado na
estrutura do ciclismo. Na minha administração
da Federação Paulista
consegui construir o velódromo de
Caieiras. Infelizmente, as competições
de velódromo acontecem em
pequeno número porque faltam incentivos.
São competições que exigem
bicicletas de qualidade, atletas
treinados. Os atletas não recebem
patrocínio, assim como a entidade
sofre com a falta de recursos. Seria
necessário realizar um maior intercâmbio
entre os atletas com locais
em que o ciclismo de pista seja mais
desenvolvido e ter outros velódromos.
Pelo menos um em cada capital
brasileira. O problema é que em seis
anos não há tempo hábil para isso.
Portanto, a Olimpíada vem em um
momento em que o esporte no País
está em crescimento. Há grandes
perspectivas para o futebol, vôlei,
basquete está voltando aos trilhos.
Mas alguns esportes, como o ciclismo,
o próprio atletismo, em que,
com raras exceções, temos atletas
que treinam no exterior e alcançam
bons resultados, temos todos os demais
esportes que serão figurantes
nas Olimpíadas de 2016. Isso é uma
pena para nós.
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